quarta-feira, 29 de abril de 2009

MORO EM SAO PAULO! E AGORA? CAP 20

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 20
Mil vozes... Um DEUS Verdadeiro...

Como sempre fazia, esperava minha mãe sair pra trabalhar. Levantava-me da cama e corria para o portão para trancá-lo. Essa vez a ansiedade era tamanha para começar a ter visões que não me lembrei de fazer.
Fui ate o quintal, peguei a lata de cola que ficava escondida no alto do pé de caju que plantei aos sete anos. Sentei-me no degrau da varanda e orei como sempre fazia.
Orava para Deus me proteger de todo mal e me dar sabedoria para entender as visões.
E pronto começava a luta.
Logo o mundo começou a ter cor, logo o silencio tinha ido embora.
Já não estava mais sozinho.
Não sei dizer qual foi o motivo. Não sei acho que apaguei e quando dei por mim aquilo já estava acontecendo e eu obedecendo.
Parecia que havia mil vozes falando em minha cabeça.
Todas falando ao mesmo tempo:
“se mata que é melhor! Sua vida não tem jeito. Vai e se enforca. Você nunca vai ser ninguém...” repetiam essas frases sem parar na minha mente.
Eu creio que nunca chorei como chorava naquele dia, naquela manhã. Chorava muito... E comecei a obedecer às vozes. Peguei a corda do varal, que na verdade era aqueles fios elétricos grossos que com certeza iria agüentar o meu peso.
Subi em cima do tanque de lavar roupas e amarrei o fio na madeira da varanda. Fiz o laço... As vozes não paravam... Eu não conseguia pensar em nada... Só podia ouvir as vozes... Coloquei o laço em volta do meu pescoço... Chorava... Fui dar o salto fatal... Minha avó paterna aparece do nada na porta da cozinha.
Ela gritou... Clamou pelo Sangue de Cristo na hora... Correu até o tanque e me tirou de cima.
Sei que foi Deus que não permitiu minha morte. Sei que naquele dia realmente iria morrer se Deus não tivesse enviado minha vó em casa. Foi Deus! Minha vó nunca vai à minha casa. Eu sempre tranco o portão e naquele dia eu não tranquei... Foi Deus.
A partir desse dia toda minha família ficou sabendo do que eu fiz, do que eu estava fazendo... Minha mãe só chorava a partir de então.
Mas pensa que parei de buscar as vozes??? Já não conseguia mais parar... Estava viciado em cola de sapateiro. E mais viciado ainda viver naquele mundo “mágico” que a cola me proporcionava.
Passado algumas semanas do ocorrido eu ainda estava cheirando muita cola. Quando não tinha dinheiro para comprar, roubava dinheiro da minha mãe, das minhas tias, da minha vó... Sempre dava um jeito.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Moro em São Paulo! E agora? Cap 19

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 19
Homenagem à Jehh
Hoje faz exatamente duas semanas que Jehh morreu!
Foi difícil demais se despedir dela. E nem pude ir ao enterro. Não posso lembrar-me do nome Jehh que lagrimas começam a rolar pelo meu rosto.
E não consigo parar de pensar, não consigo parar de me culpar!
Era pra eu ter sentado atrás. Era para eu ter levado os tiros e morrer!
Porque que eu tinha que ter a deixado sentar lá? Porque eu tinha que chamá-la pra sair?
Não tem jeito me sinto culpado pela morte dela! Faltei cinco dias da loja. Estava sem forças pra trabalhar. Fecho os olhos e vejo o jeitinho todo especial de Jehh. Seu sorriso, sua voz, seu carinho por seus amigos, sua paixão pelo cinema... Lagrimas novamente.
Tenho que pensar que Jehh foi um anjo que passou pela minha vida e me entregou um pacotinho onde continha doses de felicidade.
Jehh foi meu presente. Amo você.
Tenho que parar de me torturar. Vou à lan house me distrair um pouco. Apesar de Orkut me lembrar muito de Jehh. Foi por lá que tivemos nossas longas conversas, foi por lá que conheci Jehh de verdade. Foi por lá que ela conquistou minha amizade mais que sincera.
Ao abri meu Orkut na lan, não pude conter novamente as lagrimas.
Um depoimento de Jehh... Que dizia. “Por você danço até a dança do créu... hasuhashua... passe isso para 10 pessoas.”
Tadinha, sempre animada, sempre tendo alguma piada pra roubar o sorriso de alguém!
Jehh que nessa pagina fique registrado o quanto eu amo você, o quando adoro ouvir você dizendo que sou The Best irmão.
Vou lembrar sempre de você e fico aliviado porque sei que nossa historia não tem fim! Te amo te amo te amo...
As lagrimas continuam a rolar....

Moro em São Paulo! E agora? Cap 18

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 18
Saindo da realidade.
Estava completamente perdido. Mas ainda não tinha a noção que estava saindo da realidade por completo.
As minhas visões continuavam, dia após dia. Já tinha visto de tudo. Dinossauros, discos-voadores, cenas de desastres de avião se chocando no céu, vulcões e tornados se aproximando de casa e destruindo tudo.
Todas as visões me causavam certo pânico. Talvez a palavra “certo” não sirva tão bem nessa frase. O certo mesmo a dizer é: as visões me causavam pânico!
Mas as vozes me diziam que era tudo prova de deus. Estava sendo testado para vencer na vida. Loucura? Claro que é! E as vozes me faziam jurar que jamais iria contar nada a ninguém! Pois se contasse morreria.
Mas sempre questionava as vozes.
-Deus não gosta que use drogas! Como que Deus esta permitindo isso em mim? Fazendo testes comigo usando droga? Nunca vi isso!
Elas me diziam que Moises, o rei Davi e todos os homens mais “poderosos” na Bíblia foram testados assim, que as drogas abriam a mente para o mundo espiritual e isso não estava na Bíblia por que essa verdade apenas se revelava a pessoas especiais.
Na verdade mesmo, fingia que acreditava.
Tudo aquilo era uma esperança de mudar minha vida triste. Tinha tardes que minhas visões eram muito boas, na verdade nem chegava a ser nada. Sentava-se no quintal de casa e conversava com as vozes horas a fio, falava de tudo com eles, a gente ria, eu colocava musicas pra eles e cantava.
Sentia-me entre amigos. Amigos espirituais. Outra vez eles já não eram espíritos eram seres humanos que estavam me treinando. Eles sempre mudavam as formas. E nunca mesmo sabia direito quem era quem. Afinal eles nunca me disseram nomes.
Se apresentavam como Angel´s. anjo em inglês!
Eles me conheciam a fundo. Pois eu não precisava falar. Conversava com eles por pensamentos. Tudo que eu pensava eles sabiam.
E certa vez olhei para a parede e eles me disseram que iriam me contar a verdade sobre quem eram eles. Fiquei ansioso por saber. Ai a forma deles de jovens começaram a se transformar em demônios. Demônios vermelhos e chifrudos. Comecei a rir. Não fiquei com medo porque aqueles demônios tinham um formato muito tosco. Dava para ver que era mentira. Eles riram também da minha cara. Mas logo em seguida de demônios eles se transformaram na Camila e na Carol.
Meu Deus!!! Pensei.
Fiquei Horrorizado. Fiquei com ódio! Porque elas nunca tinham me falado. Afinal fazia três meses ou mais que estava tendo estas visões todos o dias. Elas agora sabiam tudo, tudo mesmo sobre mim. Fiquei envergonhado por saberem meus pensamentos.
E Camila e Carol riam sem parar.. e dizia:
-Não fica bravo Rafael!! A gente te ama!!!
Mas não agüentei.. Tamanha foi a raiva e comecei a xingar sem parar.
Ai as vozes riram e já não eram mais as minhas amigas. Tinham voltado à forma de jovens desconhecidos. Mas ai já era tarde, agora tava com medo de serem elas.
Corri na sala, peguei o telefone e liguei pra Camila e com toda raiva do mundo comecei a xingar ela.
-Camila sua vadia, onde você esta?
-Que isso Rafael? Que aconteceu?? To em casa!!
-Você não esta na sua casa Camila eu sei!!
-Claro que to. Quer ver? Fala com minha mãe aqui.. e passou o telefone para dona Cida, mãe de Camila.
-O que a senhora também sabe de tudo?? Não acredito em vocês! Tomaram que vocês morram!!
Desliguei o telefone com ódio.
Ai olhei para a parede e vi um monte de gente rindo da minha cara, o pior não era eles rirem. O pior que todo mundo que eu via era de São Pedro. Conhecia todo mundo. Tava todo mundo junto. Meu deus a cidade esta contra mim! Toda a cidade.
Comecei a chorar!
Logo mudaram a forma e disseram que eu era louco!! Que eles estavam brincando comigo e eu cai feito um patinho.
Fiquei mal... Mas não sei dizer como logo parecia que eu tinha esquecido aquilo tudo.
Mas depois desse dia mudou algo em mim. Comecei a acreditar que todo mundo ouvia e sabia o que eu pensava. Tinha medo de ficar perto das pessoas. Fugia de todo mundo.
Fechei-me mais que nunca dentro da minha casa.
Mas continuei a buscar mais e mais as vozes! Todos os dias eu comprava cola pra cheirar.
Minha rotina era sempre a mesma.
Minha mãe saia para trabalhar de manha e eu levantava e ia direto pro quintal ver meus amigos espirituais. Apenas parava de cheirar quando acabava a cola por volta das 5 ou 6 da tarde.
As vozes me prometiam tanto uma vida boa que eles se tornaram minha única esperança.
E assim que acabava a cola e o efeito dela passava não ouvia mais as vozes.
Voltava ser eu mesmo. O velho Rafael solitário.

Moro em São Paulo! E agora? Cap 17

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 17
Pesadelo real.
Jehh e eu entramos na padaria Bella Paulista.
Como a fama já dizia, estava lotada. Tinha fila de espera para a mesa. Mas tivemos sorte, pois conseguimos duas cadeiras para o balcão.
Pedimos o cardápio e escolhemos o que iríamos comer.
Jehh pediu croassan e chocolate gelado e eu coca-cola com um pedaço grande de pizza de palmito.
Hum... que delicia. Jehh dizia saboreando seu chocolate.
Jehh ainda me falava o quanto estava sendo especial o seu “namorico” com Cahh. Dizia que ele era pra casar. Às vezes ela trocava de assunto falando de sua outra paixão. O cinema. Ela adora o que faz! Tava com um projeto pra começar a rodar um curta sobre prostitutas da augusta. Augusta que talvez seja a terceira paixão.
Também quem não se apaixona pela augusta? Uma rua onde se encontra gente moderna e que você pode ser livre.
Antes de terminar nossa refeição Jehh solta um grito.
-Daniel!!!
Daniel . um amigo de Jehh e companheiro de faculdade. Ele se aproximou, fomos apresentados e logo estávamos os três conversando. Daniel contava sobre o seu projeto de curta. Ele iria fazer um documentário sobre tecnonick. Uma dança estranha que na Europa esta super em alta e agora começava a chegar no Brasil.
Eu particularmente não conhecia.
Assim que acabamos de comer, Daniel nos ofereceu carona. Aceitamos. Claro.
Daniel era um típico playboy. O carro dele era um New beatle amarelo. Fui entrando para sentar atrás, mas Jehh puxando-me discretamente fez um sinal que ela ia atrás e fez outro gesto contando que Daniel era gay. Como se já não tivesse percebido. Partimos em direção primeiramente a casa de Jehh, que mora na Mooca, zona leste de São Paulo.
Daniel ligou o radio que tocava uma musica muito triste, mas muito linda que é fake plastic trees do Radiohead. Quando chegamos próximo a rua dos trilhos já no bairro da Mooca, o carro foi cercado por duas motos, obrigando a Daniel parar.
Eles encostaram a moto do lado do carro, estavam armados. Com força bateram com a arma na janela do carro. Um assalto. Ficamos aterrorizados.
Daniel viu uma brecha que dava pra passar com o carro e sair correndo e assim sem pensar acelerou o carro, batendo na moto que estava do lado direito. Ele conseguiu derrubar o motoqueiro.
Todos nos ficamos parados, imóveis, praticamente sem respirar de tanto medo.
Então a motoqueiro que estava do lado esquerdo, o que havia batido no vidro com a arma sem pensar apontou a arma em direção ao carro e atirou.
Atirou três vezes acertando Jehh por duas vezes nas costas. Só consegui ouvir um grito de Jehh, que logo começou a chorar desesperadamente. Colocou a mão atrás de suas costas e voltando elas pra frente totalmente ensangüentada.
Desespero.


Daniel correu para o hospital que nem sei dizer qual era só sei que parecia ser longe demais.
Jehh chorava dizendo que iria morrer.
Meu deus que pesadelo era aquele?
Tentava acalmar Jehh. Mas eu mesmo precisava ficar calmo.
Pulei para o banco de trás do carro e deitei Jehh no meu colo. Segurei forte em suas mãos e comecei a clamar por Deus.
Orei com muita fé!
É apenas em momentos tão difíceis como esse que nos lembramos do nome de Deus.
Chegamos ao hopistal e Daniel desceu do carro correndo, gritando e pedindo ajuda. Logo veio enfermeiros com uma maca, pegou Jehh a colocou deitada e a levaram.
As horas ficaram eternas.
Não tínhamos noticias.
Ninguém sabia informar nada.
Daniel e eu apenas conseguimos chorar.
Quase 5 horas depois... O medico nos procura para nos dar noticia sobre Jehh.
Tiveram que operar Jehh para tirar as balas que perfuraram rins e o pulmão. Jehh perdeu muito sangue e infelizmente ela não resistiu os ferimentos e veio a falecer!
Tudo passou como um filme na minha mente. Lembrei-me de Jehh sorrindo pra mim naquele dia no bar. De como a gente dançou a nossa musica do My Chemical Romance. E o abraço gostoso que havia me dado para se despedir. Foi nesse momento que ouvi a voz dela me dizendo:
-Agora você tem uma amiga aqui em São Paulo.
Desmaiei de tamanha dor.

Moro em São Paulo! E agora? Cap 16

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 16
A visão da serpente.
“Olhava para o céu e pude ver um grande tabuleiro de xadrez. Pensei comigo, eu não sei jogar xadrez e agora que eu faço? Mas ai olhando com mais calma vi uma alavanca e uma voz dizendo: puxe-a. assim o fiz.
De repente as peças do tabuleiro se movimentaram sozinhas e assim que ficaram imóveis novamente, começou a encher o local de fumaça branca. Logo em seguida um “terremoto” no céu. Não estava entendo nada daquilo. Mas não tirava os olhos por nada. Não queria perder um segundo daquela coisa.
De repente o céu todo se transforma em uma espécie de rede e por cima dava para perceber que havia algo se mexendo vagarosamente.
A voz disse novamente: assopre.
Assim o fiz, obedecendo.
Então os movimentos começaram a ficar mais fortes. Meus olhos nem piscavam.
Foi quando vi aquilo... Uma serpente enorme, gigantesca. Ela estava toda enrolada no próprio corpo e tomava o céu todo. Pra se ter uma noção real do tamanho dela, se ela abrisse a boca minha casa todinha ficaria parecendo um grão de areia.
Assim que ela colocou a cabeça para fora da rede que a segurava suspensa no céu, veio em minha direção e a única coisa que consegui fazer foi gritar.
Gritei e sai correndo para dentro de casa!
As vozes me falavam para não ter medo. Mas era impossível... Já tenho medo de cobra normal, imagine daquele monstro. As vozes me pediam pra sair pra fora. Mas não tive coragem.
Então como elas perceberam que jamais obedeceria me pediram para ir até o terrão.
Terrão é um loteamento muito grande e que fica afastado da cidade de São Pedro. Então lá acontece de tudo um pouco.
Acabei obedecendo às vozes e fui em direção a terrão. No caminho olhava para o céu e ainda podia ver a serpente, mas agora ela estava sem vida, estava em forma de nuvens. E quanto mais olhava para ela, maior e mais feia ela ficava.
Cheguei ao terrão. As vozes novamente pediram para dar um assopro na serpente. Mas eu estava com medo. Pois la não havia teto nenhum para me esconder, se ela resolvesse me comer ali, tava fodido. Mas as vozes me forçaram e acabei obedecendo às ordens novamente. Assoprei... Ai ela começou a se mexer e a criar vida novamente... Comecei a tremer de medo e a soltar gemidos trêmulos.
Foi então que novamente ela colocou a cabeça pra fora me olhou e começou a se retorcer. Retorceu-se tanto que se quebrou inteira. Ate que pude ver sua barrigada saindo pra fora... Então seu corpo se transformou num cajado de ouro.
Não entendi o que era aquilo... Mas logo veio a explicação dada pelas vozes.
Deus estava me testando. Se realmente eu confiasse nele eu daria a vida para o que eu mais temia a pedido dele. E como assim o fiz passei no teste. “Fui aprovado por deus.”
Quando percebi minha lata de cola havia acabado. Estava cheirando cola desde manhã. Comecei oito da manha e já era aquela altura três e meia da tarde.
Voltei pra casa me sentindo especial.

Moro em São Paulo! E agora? Cap 15

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 15
Inferno
Amanha é dia de pagamento.
Dia pagar aluguel, água, luz... Meu Deus... E sabe quanto eu vou receber??
O equivalente a duzentos e oitenta reais. To fodido... Meu cadê os mil e oitocentos oferecidos... To me sentindo enganado pela empresa. Prometeram-me tanta e não to vendo nada. Só não to tão fodido assim porque ainda tenho o seguro desemprego.
Quer saber? Vou sair de balada hoje! Faz tempo que não saio. Vou ligar pra Jehh. Tenho certeza que ela nunca diz não pra baladinha. E outra ficar em casa também não rola. La ta difícil. A bagunça que a galera faz todos os dias até tarde da noite estão me deixando estressado.
Marquei com Jehh onze e meia na estação do metro Consolação. E exatamente nesse horário la estava eu. Meia hora depois Jehh chega toda sorridente e estava linda.
Ela vestia um shorts jeans azul, por de baixo dele meia arrastão toda rasgada e coturno pretos, uma blusinha com uma caveirinha com laçinhos nos cabelos e a frase escrita: “I dont´t Love you”.
Deu-me um abraço gostoso e começou a dizer que estava apaixonada. No ultimo sábado que ela havia saído, conheceu Cahh... e praticamente foi amor a primeira vista.
Eles so não estava jutos nesse sábado porque ele estava viajando.
Fomos descendo pela augusta, contando as novidades. Por mais que Jehh e eu nao nos encontramos mais depois daquele dia do Vegas, sempre nos falamos pelo Orkut e MSN, então nossa amizade estava bem solida.
Rimos quando vimos uma prostituta da augusta cair de cara no chão porque quebrou o salto. Rimos mas depois ficamos com dó, porque parece que ela quebrou o nariz de verdade! Coitada.
Estávamos descendo para o bar da Loka, o mesmo bar que nos conhecemos. O Cadu ia estar junto com Dani a careca. Felipe chegaria mais tarde com Silvio. No bar tivemos sorte conseguimos pegar uma mesa logo que chegamos. Das pessoas que marcamos ninguém havia chego ainda. Então começamos a nossa bebedeira.
Jehh estava empolgadíssima com o Cahh, seu namorado novo, contou e recontou a historia de como eles se conheceram. Dizia ela que parecia cena de filme. Ela saindo da faculdade cheia de livros, de repente um esbarrão em Cahh, os livros caiem ao chão, os dois se baixam para pegar o livro e ele pega sem querer em sua mão e eles se olham pela primeira vez nos olhos. Pronto. Jehh estava apaixonada.
Essa cena é digna de filme e não poderia ser diferente para Jehh, estudante de cinema.
É amor. Dizia ela suspirando.
Quem diria que aquela garotinha com roupas estranhas, pirciengs era tão romântica! Conversa vai, conversa vem... chega todo o pessoal praticamente juntos. Todos se sentam e cada pega um copo e enche com a cervejinha gelada.
E por la ficamos por horas.
Com a cerveja na cabeça todo mundo ficou afim de sair pra dançar. O bar já havia cansado.
-Vamos pro inferno? Disse Jehh seriamente.
Jehh percebendo minha cara de estranhamento me disse:
-Calma Rafael! Inferno é o nome de uma balada aqui na Augusta! Hahahahhaha. Soltou uma gargalhada.
Com certeza eu aceitei. Eu tenho que conhecer esse lugar com esse nome tão bizarro!
Pagamos a conta e novamente descemos nós para o Inferno.
A fachada da boate não era nada bizarro, nada de demônios chifrudos na recepção. Apenas escrito em vermelho. INFERNO. Estava rolando naquele dia uma festa com o tema muito estranho e nos fez rir muito. “Mulher de bigode o brejo come!” no flyer um sapo de bigode! Ou seja, a festa era de lesbicas. Mas mesmo assim decidimos entrar. O som que rola la dentro é muito bom, segundo Jehh e Dani.
Ao entrar no inferno, ele estava lotado.
Rimos pra caramba. Porque assim que entramos Dani se empolgou demais com uma cara lindo, estilo Jim Morrison.
-To passando mal de ver esse cara! Perfect. Dizia Dani.
Mas ao chegar mais perto, vimos que na verdade não era ele e sim ela.
É melhor eu tomar cuidado também, não quero me confundir assim e no final perceber que esta faltando algo no cara que estou pegando.
Ficamos no inferno e o inferno pelo menos naquela noite não estava tão legal assim.
Era quase quatro da manha, Jehh e eu decidimos sair fora, estávamos com fome e cansados. Iríamos passar na Padaria Bella Paulista comer algo e depois esperar abrir o metro. O pessoal decidiu ficar.
Saímos e caminhamos em direção a Bella Paulista. Uma padaria badaladíssima que vive lotada 24 horas.
Sinto em mim que não deveríamos ter saído do inferno.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Moro em São Paulo! E agora? Cap 14

Moro em São Paulo! E agora?
Capitulo 14
Viagem ao inferno.
Tava todo mundo em frente à escola.
Realmente naquela sexta feira toda a galera tava reunida. Camila, Carol, Torão, Thais, patrícia, umas quinze pessoas.
Todo mundo tava querendo fazer alguma coisa diferente naquela noite.
Fumar maconha a gente ia de qualquer jeito, cheirar um pó tava todo mundo sem grana. Até que Roberto teve uma idéia, a genial idéia.
Se eu soubesse que aquela idéia ia mudar por demais a minha vida, jamais tinha aceitado.
-Em casa tem cola de sapateiro. Vamos??? É muito louco!!!
Todo mundo riu... Mas todo mundo aceitou.
Passamos na casa de Roberto para pegar a cola e fomos em direção a rio do Paco, onde iríamos ficar a vontade.
Começa enfim a minha destruição.
Todo mundo sentou-se sobre o gramado. Todo mundo animado falando alto. Até eu estava bem naquele dia. Conversava com todo mundo. Colocamos a cola na sacolinha e começamos a cheirar. Que loucura era aquela? Aquele cheiro entrava queimando por dentro. De repente começou tipo de barulho, que impossível de descrever. Todo mundo começou literalmente a viajar e eu tive a mais incrível das viagens!
“O barulho ficou mais forte, agora estava parecendo com som de um disco voadores, não que já tenha visto, mas já vi em filmes. Uma explosão. O escuro total!
Meu coração começou a bater forte, tão forte que doía. Medo.
Até que no céu acendeu luzes que iluminava todo o gramado onde estávamos. As luzes eram brancas, vermelhas e azuis. E do jeito que elas estavam posicionadas lembrava um pouco a bandeira americana. Fiquei olhando abismado com que meus olhos contemplavam. Onde estou?? Não sabia mais onde estava! Eu não sabia como tinha ido parar naquele lugar.
Olhei para o lado, começando a me desesperar! Foi ai que pude notar todo mundo que estava comigo, todos meus amigos faziam movimentos repetitivos, e falavam todos enrolados. Fiquei sem entender o que era aquilo.
Foi então que como uma luz, lembrei-me que estava cheirando cola. Lembrei de Camila lendo o rotulo da lata de cola e dizendo: A INALAÇAO DESTE PRODUTO CAUSA A MORTE!
Meu Deus!!!! Eu Morri! É!! Eu estava cheirando cola e agora eu morri!!! To no inferno!! E minha condenação é ficar vendo isso pela eternidade. Meus amigos fazendo esses movimentos estranhos. Comecei a chorar! Que horror...
Foi então que comecei a clamar a Deus por misericórdia.
Meu Deus me perdoa, me ajuda, tira-me desse inferno.
Meus amigos começaram a gargalhar.
Uma voz disse: são demônios, são os demônios rindo de você. Porque você jamais vai sair daqui!
Enchi-me de fé! Eu creio em Deus e sei do seu amor...
Comecei a clamar mais ainda.. mais gargalhada...clamei mais...até que ocorreu outra explosão.”
Pronto! Estava de volta. Tudo normal!
Eu chorava demais. Mas dessa vez por alivio. Camila veio em minha direção me abraçando e chorando. Será que ela viu também? Os outros continuavam viajando...
Chorei ali baixinho com Camila.
Foi uma tremenda de uma viagem!!!
Quero sentir isso de novo!! Pensei assim que me acalmei.